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segunda-feira, 13 de maio de 2013

São Domingos de Gusmão, o grande pregador - comunicador do Evangelho


 São Domingos de Gusmão, o grande pregador

Escrito por José Luís. Publicado em Bento XVI
Queridos irmãos e irmãs:
Na semana passada, apresentei a luminosa figura de Francisco de Assis. Hoje, eu gostaria de falar-vos sobre
outro santo que, na mesma época, ofereceu uma contribuição fundamental para a renovação da Igreja do seu tempo. Trata-se de São Domingos, o fundador da Ordem dos Pregadores, conhecidos também como Frades Dominicanos.
Seu sucessor na guia da Ordem, o beato Jordão da Saxônia, oferece um retrato completo de São Domingos no texto de uma famosa oração: “Inflamado do zelo de Deus e de ardor sobrenatural, por sua caridade sem fim e pelo fervor do espírito veemente, tu te consagraste todo inteiro, com o voto de pobreza perpétua, à observância apostólica e à pregação evangélica”. É precisamente este traço fundamental do testemunho de Domingos que é preciso sublinhar: ele falava sempre com Deus e de Deus. Na vida dos santos, o amor pelo Senhor e pelo próximo, a busca da glória de Deus e da salvação das almas caminham sempre juntos.
Domingos nasceu na Espanha, em Caleruega, por volta de 1170. Pertencia a uma nobre família da velha Castilha e, apoiado por um tio sacerdote, formou-se em uma célebre escola de Palência. Distinguiu-se imediatamente pelo interesse no estudo da Sagrada Escritura e pelo amor aos pobres, até o ponto de vender os livros, que em seu tempo constituíam um bem de grande valor, para socorrer, com o dinheiro da venda, as vítimas de uma carestia.
Ordenado sacerdote, foi eleito cônego do capítulo da catedral da sua diocese de origem, Osma. Ainda que esta nomeação pudesse representar para ele algum motivo de prestígio na Igreja e na sociedade, ele não a interpretou como um privilégio pessoal nem como o começo de uma brilhante carreira eclesiástica, mas como um serviço a ser realizado com dedicação e humildade. Não seria talvez uma tentação a da carreira, do poder, uma tentação da qual nem sequer estão imunes aqueles que têm um papel de animação e de governo na Igreja? Recordei isso há alguns meses, durante a consagração de alguns bispos: “Não procuremos o poder, o prestígio e a estima para nós mesmos. (...) Sabemos como as coisas na sociedade civil e, com frequência, também na Igreja sofrem pelo fato de que muitos deles, aos quais foi conferida uma responsabilidade, trabalham para si mesmos e não para a comunidade” (Homilia. Capela Papal para a ordenação de cinco novos bispos, 12 de setembro de 2009).
O bispo de Osma, que se chamava Diego, um pastor zeloso e verdadeiro, notou rapidamente as qualidades espirituais de Domingos e quis contar com sua colaboração. Juntos, dirigiram-se ao norte da Europa, para realizar missões diplomáticas confiadas pelo rei de Castilha. Viajando, Domingos percebeu dois enormes desafios para a Igreja da sua época: a existência de povos ainda sem evangelizar, nos confins setentrionais do continente europeu, e a laceração religiosa que enfraquecia a vida cristã no sul da França, onde a ação de alguns grupos hereges criava desordem e afastamento da verdade da fé. A ação missionária com quem não conhece a luz do Evangelho e a obra de re-evangelização das comunidades cristãs se converteram, assim, nas metas apostólicas que Domingos se propôs a seguir.
Foi o Papa – a quem o bispo Diego e Domingos se dirigiram para pedir conselho – que pediu a este último que se dedicasse à pregação aos albigenses, um grupo herege que sustentava uma concepção dualista da realidade, isto é, com dois princípios criadores igualmente poderosos, o Bem e o Mal. Este grupo, em consequência, desprezava a matéria como procedente do princípio do mal, rejeitando inclusive o matrimônio, até negar a encarnação de Cristo, os sacramentos, nos quais o Senhor nos “toca” através da matéria, e a ressurreição dos corpos. Os albigenses estimavam a vida pobre e austera – neste sentido, eram inclusive exemplares – e criticavam a riqueza do clero daquele tempo. Domingos aceitou com entusiasmo esta missão, que levou a cabo precisamente com o exemplo da sua existência pobre e austera, com a pregação do Evangelho e com os debates públicos. A esta missão de pregar a Boa Notícia dedicou o resto da sua vida. Seus filhos realizariam também os demais sonhos de São Domingos: a missão ad gentes, isto é, com aqueles que ainda não conheciam Jesus, e a missão com aqueles que moravam nas cidades, sobretudo as universitárias, onde as novas tendências intelectuais eram um desafio para a fé dos cultos.
Este grande santo nos recorda que, no coração da Igreja, deve arder sempre um fogo missionário, que conduz incessantemente a levar o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização: é Cristo, de fato, o bem mais precioso que os homens e as mulheres de todas as épocas e lugares têm o direito de conhecer e amar! E é consolador ver como, também na Igreja de hoje, são tantos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que, com alegria, gastam sua vida por este ideal supremo: anunciar e dar testemunho do Evangelho.
A Domingos de Gusmão se associaram depois outros homens, atraídos pela mesma aspiração. Dessa forma, progressivamente, desde a primeira fundação em Tolosa, teve sua origem a Ordem dos Pregadores. Domingos, de fato, em plena obediência às diretivas dos papas da sua época – Inocêncio III e Honório III –, adotou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências da vida apostólica, que levavam seus companheiros e ele a pregarem transladando-se de um lugar a outro, mas voltando depois aos seus próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevância a dois valores considerados indispensáveis para o êxito da missão evangelizadora: a vida comunitária na pobreza e o estudo.
Antes de tudo, Domingos e os Frades Pregadores se apresentavam como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos a serem administrados. Este elemento os tornava mais disponíveis para o estudo e para a pregação itinerante e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas se estruturou sobre o sistema de capítulos, que elegiam seus próprios superiores, confirmados depois pelos superiores maiores; uma organização, portanto, que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais. A escolha deste sistema nascia precisamente do fato de que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, deveriam ser coerentes com o que anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos é o fundamento mais profundo da alegria. O beato Jordão da Saxônia diz de São Domingos: “Acolhia cada homem no grande seio da caridade e, como amava todos, todos o amavam. Ele havia estabelecido uma lei pessoal de alegrar-se com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam” (Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore IordanoIordano de Saxonia, ed. H.C. Scheeben, [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935]).
Em segundo lugar, Domingos, com um gesto valente, quis que seus seguidores adquirissem uma sólida formação teológica e não hesitou em enviá-los às universidades da época, ainda que muitos eclesiásticos olhassem com desconfiança para estas instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores dão muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos quis que seus frades se dedicassem a ele sem reservas, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de cada saber teológico, isto é, na Sagrada Escritura, e respeitoso diante das perguntas apresentadas pela razão. O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que realizam o ministério da Palavra, nos diversos níveis, uma boa preparação.
Portanto, exorto todos, pastores e leigos, a cultivarem esta “dimensão cultural” da fé, para que a beleza da vida cristã possa ser mais bem compreendida e a fé possa ser verdadeiramente nutrida, reforçada e também defendida. Neste Ano Sacerdotal, convido os seminaristas e sacerdotes a estimarem o valor espiritual do estudo. A qualidade do ministério sacerdotal depende também da generosidade com que a pessoa se aplica ao estudo das verdades reveladas.
Domingos, que quis fundar uma ordem religiosa de pregadores-teólogos, recorda-nos que a teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os sacerdotes, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda “alegria interior” ao contemplar a beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre atual e sempre viva. O lema dos Frades Pregadores – contemplata aliis tradere – nos ajuda a descobrir, além disso, um desejo pastoral no estudo contemplativo destas verdades, pela exigência de comunicar aos demais o fruto da própria contemplação.
Quando Domingos morreu, em 1221, na Bolonha – a cidade que o declarou seu padroeiro –, sua obra já havia tido grande êxito. A Ordem dos Pregadores, com o apoio da Santa Sé, havia se difundido em muitos países da Europa, em benefício da Igreja inteira.
Domingos foi canonizado em 1234 e é ele mesmo que, com sua santidade, nos indica dois meios fundamentais para que a ação apostólica seja penetrante. Antes de tudo, a devoção mariana, que ele cultivou com ternura e que deixou como herança preciosa aos seus filhos espirituais, os quais, na história da Igreja, tiveram o grande mérito de difundir a oração do santo rosário, tão querida pelo povo cristão e tão repleta de valores evangélicos, uma verdadeira escola de fé e de piedade. Em segundo lugar, Domingos, que se encarregou de alguns mosteiros femininos na França e em Roma, acreditou profundamente na oração de intercessão pelo êxito do trabalho apostólico. Somente no Paraíso compreenderemos quanto a oração das religiosas de clausura acompanhou eficazmente a ação apostólica! A cada uma delas dirijo meu pensamento agradecido e carinhoso.
Queridos irmãos e irmãs: que a vida de Domingos de Gusmão nos leve a ser ferventes na oração, valentes na vivência da fé, profundamente enamorados de Jesus Cristo. Por sua intercessão, peçamos a Deus que enriqueça sempre a Igreja com autênticos pregadores do Evangelho.
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs:

O bem mais precioso que as pessoas têm direito e necessidade de conhecer e amar é Cristo. Por isso, no coração da Igreja, deve arder sempre um fogo missionário, que impele a anunciar e testemunhar o Evangelho de Jesus a quem o não conhece ou dele se afastou. Este fogo ardia no coração do sacerdote e pregador Domingos de Gusmão, que nele incendiou os companheiros movidos pela mesma aspiração, dando início à Ordem dos Pregadores ou Dominicanos. Para o bom sucesso da missão evangelizadora, recomendou-lhes a vida comunitária em pobreza e o estudo como preparação ao apostolado. A vivência destes dois valores dá ao pregador a coerência com a verdade de Deus que anuncia. Para ganhar o coração dos ouvintes, São Domingos contava com a terna devoção à Virgem Mãe, que depois tomaria a forma da recitação do terço, e com a fecunda retaguarda espiritual das monjas contemplativas.
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, com votos de que a vossa visita ao lugar da Confissão de Pedro seja rica de graças e luzes do Alto, que vos ajudem a ser sempre autênticas e incansáveis testemunhas de Cristo. Em seu nome, dou-vos a minha bênção, extensiva a vossos familiares e comunidades cristãs.
[Tradução: Aline Banchieri
©Libreria Editrice Vaticana]

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O que é Ordem Terceira Dominicana?


Ordem Terceira Dominicana

O que é Ordem Terceira Dominicana?

Como o próprio nome sugere, é a terceira parte da Ordem dos Pregadores. A primeira ordem consiste de padres e frades, que pronunciou os votos solenes de pobreza, castidade e obediência. A segunda ordem consiste de monjas contemplativas que fertilize a sua vida de oração e penitência o apostolado de seus irmãos da grande Ordem. Finalmente, a terceira ordem, ou Ordem Terceira é dividida em Terceira Ordem - Regular, cujos membros vivem sob uma regra religiosa comum (professores dominicanos) e Ordem Terceira Secular. É este último que estamos falando.  Os dominicanos Ordem Terceira é de fato uma associação de fiéis, que vivem no mundo ansiosos para alcançar a perfeição cristã no espírito e nas orientações dos Pregadores. 

Santa Catarina de Siena
Desde o tempo de S. Domingos, havia em torno dos conventos da Ordem, fraternidades de leigos desejosos de progresso espiritual sob o auspício dos Pregadores. Para padronizar o modo de vida de muitos terciários, o Mestre Geral Munio de Zamora escreveu uma Regra, que foi aprovada pela Santa Sé em 1285. Esta regra muito exigente esteve em vigor por séculos. Ela foi modificada por Pio XI em 1923 para ser um pouco adaptada aos dias de hoje e do Direito Canônico de 1917. Ela santificou uma quantidade de leigos dos dois sexos, que eram exemplo de edificação para os seus contemporâneos. 

Santa Rosa de Lima
Entre aquelas almas escolhidas estão: Santa Zedislava Berkiana (1252), uma nobre senhora do reino da Boêmia; a venerável Benoîte Rencurel (1718) pastora de Laus, que foi por 50 anos confidente e instrumento dedicado à Virgem Maria; a princesa Maria Clotilde de Sabóia (1912) filha heróica do Rei de Piedmont, Victor Emmanuel II; Estelle Faguette, a vidente de Pellevoisin; Charlotte, Duquesa de Alençon, morreu vítima de sua devoção com duas outras terciárias no incêndio no Bazar de la Charité (1899); Dupouey Mireille (1932), a esposa modelo e viúva do brilhante oficial de Pierre Dupouey; Tangari Katharina (1989), filha espiritual do Padre Pio, que tem um apostolado heróico na Tchecoslováquia.

Mais conhecidas são as duas santas, Catarina de Siena (1380) e Rosa de Lima (1617). A primeira desempenhou um papel de liderança no retorno dos papas de Avignon para Roma e continua a ser uma guia muito segura e muito emocionante nos caminhos espirituais. Santa Catarina é a padroeira dos dominicanos terciários. A segunda, Santa Rosa, foi a primeira flor de santidade do continente sul-americano.

São Luís de Montfort
Dos Homens do mundo também se destacaram na Ordem Terceira de São Domingos, entre outros, o humilde camponês da Itália: Emile Keller (1909), uma das principais figuras do catolicismo social do século XIX, membro da Alsácia. Ernest Psichari (+ 1914), um jovem oficial, filho de Ernest Renan apóstata, que fez uma conversão ao catolicismo sensacional. Henri Gheon, autor de muitas peças edificantes. Charles de Koninck (1965), decano da Faculdade de Filosofia na Universidade de Laval, em Quebec, um colaborador da revista Intinerário.

Os próprios sacerdotes dão a honra de ser membros da Ordem Terceira de São Domingos: Cônego Nicolau Copérnico, bem conhecido por suas descobertas astronômicas; o Pe. Olier, fundador do Seminário São Sulpício; São Luís Maria de Montfort, apóstolo do Rosário; o Abade de Genettes, pároco de Nossa Senhora das Vitórias, que em 1836 dedicou a sua paróquia ao Santo e Imaculado Coração de Maria; Bispo Gay, auxiliar do cardeal Pie, e autor de livros muito bons de espiritualidade; o falecido Papa Pio XII; o Abade Berto, um teólogo no Conselho do Arcebispo Lefebvre; o Padre Barrielle, SCRC, o primeiro diretor espiritual no Seminário de Ecône, e muitos outros.

Nicolau Copérnico
Juntando-se a família dominicana os participantes tornam-se participantes de todos os méritos acumulados ao longo de oito séculos pela grande ordem religiosa, com quase setenta santos canonizados e mais de duzentos bem-aventurados. A finalidade da Ordem Terceira é proporcionar a santificação pessoal dos seus membros pela prática da vida cristã mais perfeita, e a salvação das almas pelo modo de acordo com o estado dos fiéis que vivem no mundo.  Para atingir este objetivo, além daqueles comuns a todos os cristãos (isto é, a oração, os sacramentos, a prática dos mandamentos de Deus e o cumprimento de seu dever de estado), os meios propostos são: observância da regra, que exige certas orações (litúrgica tanto quanto possível, graças ao pequeno ofício da Santa Virgem), algumas penitências (abster-se de mundanismos e a prática de jejuns em certos dias), obras de apostolado em defesa da fé e da Igreja e obras de caridade (visitar colegas doentes, por exemplo). Associações terciárias em uma localidade são chamados de "fraternidades".  Elas são uma poderosa ajuda para a ascensão ao céu, que hoje se tornou extremamente difícil e dolorosa por causa do resfriamento da caridade e da corrupção em geral.  Mas deixemos a palavra, finalmente, para o Papa Bento XV (Carta de 4 de agosto de 1919):

« O forte desejo de oferecer a salvação às almas, nos leva a indicar para os fiéis os meios de santidade que os protejeriam dos perigos que os ameaçam.  Além disso, exortamos a todos aqueles que desejam santificar-se e santificar o próximo para ajuntar-se sob a bandeira branca de São Domingos, porque, graças à proteção especial da Bem-Aventurada Virgem Maria, sua Ordem teve distintivo exercido ao longo dos séculos e irá exercer ainda maior entre as necessidades do nosso tempo uma missão providencial. » 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Texto da Audiência do Papa sobre São Domingos


Texto da Audiência do Papa sobre São Domingos

AUDIÊNCIA GERAL
Castel Gandolfo Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012  
Amados irmãos e irmãs! Hoje a Igreja celebra a memória de são Domingos de Gusmão, Sacerdote e Fundador da Ordem dos Pregadores, chamados Dominicanos.
Já numa Catequese precedente, falei sobre esta figura insigne e acerca da contribuição fundamental que ofereceu para a renovação da Igreja do seu tempo. Hoje, gostaria de evidenciar um aspecto essencial da sua espiritualidade: a sua vida de oração.
São Domingos foi um homem de oração. Apaixonado por Deus, só teve aspiração pela salvação das almas, em particular daquelas que caíam nas redes das heresias da sua época; imitador de Cristo, encarnou radicalmente os três conselhos evangélicos, unindo à proclamação da Palavra o testemunho de uma vida pobre; sob a guia do Espírito Santo, progrediu no caminho da perfeição cristã. Em todos os momentos, a oração foi a força que renovou e tornou sempre fecundas as suas obras apostólicas.
O beato Jordão da Saxónia, falecido em 1237, seu sucessor na direcção da Ordem, escreveu: «Durante o dia, ninguém se mostrava mais sociável do que ele... Vice-versa à noite, ninguém era mais assíduo do que ele na vigília da oração. O dia era dedicado ao próximo, mas a noite era oferecida a Deus» (P. Filippini, San Domenico visto dai suoi contemporanei, Bolonha 1982, 133 páginas).
Em são Domingos podemos ver um exemplo de integração harmoniosa entre contemplação dos mistérios divinos e actividade apostólica. Segundo os testemunhos das pessoas mais próximas, «ele falava sempre com Deus ou de Deus». Tal observação indica a sua comunhão profunda com o Senhor e, ao mesmo tempo, o compromisso constante de conduzir os outros para esta comunhão com Deus.
Não deixou escritos sobre a oração, mas a tradição dominicana reuniu e transmitiu a sua experiência viva numa obra intitulada: Os nove modos de rezar de são Domingos. Este livro foi composto entre 1260 e 1288 por um padre dominicano; ele ajuda-nos a entender algo da vida interior do Santo e também a nós, com todas as diferenças, a aprender como rezar. Portanto, são nove os modos de rezar segundo são Domingos e cada um deles, que recitava sempre diante de Jesus Crucificado, exprime uma atitude corporal e uma espiritual que, intimamente compenetradas, favorecem o recolhimento e o fervor. Os sete primeiros modos seguem uma linha ascendente, como passos de um caminho, rumo à comunhão com Deus, com a Trindade: são Domingos reza em pé; inclinado para expressar a humildade; estendido no chão para pedir perdão pelos próprios pecados; de joelhos, fazendo penitência para participar nos sofrimentos do Senhor; com os braços abertos fixando o Crucificado a fim de contemplar o Amor Supremo; com os olhos dirigidos ao céu, sentindo-se atraído pelo mundo de Deus. Portanto, são três formas: em pé, de joelhos, estendido no chão; mas sempre com o olhar dirigido para o Senhor Crucificado.
Os dois últimos modos, sobre os quais gostaria de reflectir brevemente, correspondem a duas práticas de piedade habitualmente vividas pelo Santo. Antes de tudo, a meditação pessoal, na qual a oração adquire uma dimensão ainda mais íntima, fervorosa e reconfortante. No final da recitação da Liturgia das Horas, e depois da celebração da Missa, são Domingos prolongava o diálogo com Deus, sem pôr limites ao tempo. Sentado tranquilamente, recolhia-se em atitude de escuta, lendo um livro ou fixando o Crucificado. Vivia estes momentos de relação com Deus de modo tão intenso que até exteriormente se podiam notar as suas reacções de alegria ou de pranto. Portanto, assimilou em si, meditando, as realidades da fé. As testemunhas narram que, às vezes, entrava numa espécie de êxtase, com o rosto transfigurado, mas imediatamente depois retomava humildemente as suas actividades diárias revigorado pela força que vem do Alto. Também a oração durante as viagens de um convento para outro; recitava as Laudes, a Hora Média, as Vésperas com os companheiros e, atravessando os vales ou as colinas, contemplava a beleza da criação. Então, do seu coração brotava um cântico de louvor e de acção de graças a Deus por tantos dons, sobretudo pela maior maravilha: a redenção realizada por Cristo.
Queridos amigos, são Domingos recorda-nos que na origem do testemunho da fé, que cada cristão deve dar em família, no trabalho, no compromisso social e também nos momentos de distensão, estão a oração, o contacto pessoal com Deus; só esta relação real com Deus nos dá a força para viver intensamente cada evento, em particular os momentos mais difíceis. Este Santo recorda-nos também a importância das atitudes exteriores na nossa oração. O ajoelhar-se, o ficar em pé diante do Senhor, o olhar fixado no Crucificado, o deter-se e recolher-se em silêncio não são secundários, mas ajudam-nos a colocar-nos interiormente, com todo o nosso ser, em relação com Deus.
Gostaria de lembrar mais uma vez a necessidade para a nossa vida espiritual de encontrar diariamente momentos para rezar com tranquilidade; devemos procurar este tempo, especialmente nas férias, deixar um espaço para falar com Deus. Será um modo também para ajudar quem nos está próximo a entrar no raio luminoso da presença de Deus, que traz a paz e o amor dos quais todos temos necessidade. Obrigado.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Firmeza de Domingos



   Firmeza de Domingos com tudo aquilo que se                propunha fazer.  

Domingos estava sempre saindo de sua zona de conforto. Mesmo no medo, seguia em frente com uma firme certeza de que não estava só. Ser firme com aquilo que nos é confortável é simples, Domingos não se contentava em falar do Amor de Deus para aqueles que já eram de Deus. Ele queria muito mais, e por isso se arriscava em meio aos Cátaros, (para os Cátaros, o corpo, como toda a matéria, é má e por isso deve ser combatido) Domingos se arriscava para trazer às pessoas a uma vida mais plena. Muito dessa característica se deve a grande sensibilidade de Domingos com as coisas. Conversava com Deus como um amigo fala com o outro, de forma que “sempre estava ou falando de Deus para os Homens ou dos Homens para Deus”.
A Cidade de Carcassone era um dos lugares onde os Cátaros mais perseguiam Domingos. Quando o encontravam cuspiam-no no rosto, atiravam-lhe barro e tantos outros objetos pelas costas, no entanto, ele não fugia. Saía com simplicidade, andando naturalmente e respondia a tantas ameaças primeiramente com o exemplo de vida e depois lhes dando das formas mais sabias as razões de sua fé.
Tamanha firmeza e docilidade não permitia que as pessoas lhe fossem indiferentes e dessa experiência muitos se encantaram e muitos se encantam até hoje.
Para refletir:
• Sou firme com aquilo que é necessário, mesmo que me tira da zona de conforto? 
• Partilhar.
Para rezar:
Pai Nosso, e
Oração Cardeal Newman
Senhor Jesus, não fiques escondido dentro de mim

Olha pelos meus olhos
Ouve pelos meus ouvidos
Fala pelos meus lábios
Oferece-te através de minhas mãos
Caminha pelos meus pés
Que a minha pobre presença humana faça lembrar, mesmo que de longe, a tua divina presença

Um fraterno abraço,
Fonte: MJD BR – Movimento Juvenil Dominicano do Brasil

terça-feira, 30 de abril de 2013

Juventude Dominicana no mundo: ser o todo em tudo


 Juventude Dominicana no mundo: ser o todo em tudo 

Cada ser Humano é um presente Divino tratado e concebido com qualidades e defeitos que o levam, de forma singular, a ter sua própria forma de ser e agir. A esses aspectos, no meio laico, damos o nome de Carisma.
No Cristianismo, o termo Carisma, é usado para indicar um dos diversos dons espirituais ou graças especiais concedidos pelo Espírito Santo àqueles desejosos de servir a Deus. Ou seja: “são dons especiais do Espírito, concedidos a alguém para o bem dos homens, para as necessidades do mundo e, em particular, para a edificação da Igreja” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 160). Estes geram diversas formas de atuação como instrumentos do próprio Deus (Espírito Santo) na Igreja para seus fiéis e para o mundo.
O Carisma, como Dom do Espírito Santo, leva o Homem a agir para além daquilo que é particular, alçando o Bem Comum para a finalidade de suas ações. Mas que tipo de agir é esse? É um agir enraizado na vida e na mensagem de Jesus Cristo, é viver de forma autêntica e consagrada para edificação do Reino de Deus.
Sabemos que somos limitados e o quão difícil, e por que não dizer utópico, é servir integrando as intenções profundas à ação cotidiana. Por isso que devemos constantemente, nos embates do dia a dia, educar as nossas vontades. O desejo de estar a serviço da construção do Reino de Deus já nos possibilita receber do Espírito esses Dons especiais – carismas.
O importante é perceber que não devemos buscar em nossas ações a Santidade Particular mas, acima de tudo, a construção do Reino de amor que é a pedra angular do Bem Comum. Para isso devemos lançar um novo olhar sobre as mesmas coisas. Um olhar iluminado pela fé que instruída pelos Dons do Espírito, saiba discernir “sobre as novas necessidades e as aspirações da existência cristã num mundo em mutação” (Chenu – O carisma de S. Domingos).